Alguém me disse a determinada altura que, a partir do momento em que Ela nascesse acabaria o meu sossego, o tempo para mim. Reconheço que é verdade! Nestes últimos meses quase que me anulei em prol d'Ela. O meu tempo é total e integralmente gerido em seu redor: a hora de mamar, a hora de dormir, a hora de brincar, hora do banho.
De início foi complicado! Eu tomava banho a correr, cozinhava a correr, comia a correr e até dormia a correr, tal era o sobressalto em que vivia, totalmente manipulada pelo choro d'Ela. A determinada altura até pensava que ela tinha um sensor incorporado para avisar sempre que eu estivesse a fazer algo que não fosse relacionado com Ela. Sim, confesso que por algumas vezes apeteceu-me fugir. Bolas, eu também queria fazer outras coisas, sair de casa... quer dizer, Ele pode, n'é? e eu? depois de ter saído de casa dos meus pais há tantos anos, estava a ser manipulada por uma ditadorazinha de meio metro!
Entretanto, o tempo foi passando, Ela já se habituou a mim e eu a Ela, parecemos amigas de há vários anos...
Agora já consigo encarar melhor a tarefa a tempo inteiro, deste contrato a termo incerto, cujas negociações começaram dificies, mas acabaram tão simples de engendrar.
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Ó-Ó
Dormir é algo que, contrariamente ao que se vaticinara, tenho feito com relativa facilidade nestes últimos meses. Ok, não durmo oito horas seguidas (mas também nunca dormi!), Consigo "passar pelas brasas" cerca de quatro/cinco horitas, com um breve intervalo para pegar nela e amamentar e... voltar a dormir.
A bem da verdade, Ela não gosta muito de adormecer e é nessa altura que presenciamos as suas terceiras maiores gritarias. Em todo o caso, depois de começar, aí por volta das 22horas, já só desperta totalmente no dia seguinte. Porreiro pá, lá diria o outro!
A bem da verdade, Ela não gosta muito de adormecer e é nessa altura que presenciamos as suas terceiras maiores gritarias. Em todo o caso, depois de começar, aí por volta das 22horas, já só desperta totalmente no dia seguinte. Porreiro pá, lá diria o outro!
domingo, 28 de setembro de 2008
Super-Mãe

Do meu ponto de vista, a todas as mães deveria ser atribuída uma capa. Sim, uma capa como têm os super-herois, já que o período de gestação não só serve para formar aqueles bocadinhos de nós maravilhosos, como também desenvolve os nossos super-poderes.
Se não vejamos: logo que Ela nasceu consegui adquirir a capacidade de ouvir o seu mais pequeno murmúrio da outra parte da casa sem qualquer tipo de aparelhos adicionais; consigo distinguir o seu choro numa sala cheia de outros bébés; de noite acordo ás horas das mamadas antes dela chorar, além de conseguir transporta-la e mais uma mochila, o carrinho, a minha mala e por vezes um outro saco que possa aparecer. Aperfeiçoei também a capacidade de fazer várias coisas ao mesmo tempo - preparar o banho, a roupinha, o jantar e dar atenção á cadela. Já para não falar da espantosa capacidade (que ainda estou a treinar) de sair da casa com todas as coisas que são ou que possam vir a ser necessárias caso esteja calor ou frio ou chova ou tenha sono ou se suje ou tenha sede e por aí fora.
sábado, 27 de setembro de 2008
Vocações
A sociedade actual é uma tristeza!
Na grande maioria das vezes, as pessoas têm de trabalhar em profissões para as quais não estão vocacionadas, nem gostam, somente porque têm de ganhar dinheiro!
No seguimento da "magnifica" visita á digilosa enfermeira do Centro de Saúde, fomos aconselhados a marcar uma consulta de "materno-infantil" com a médica de família - esta Sra Dra não está nada satisfeita com o que faz, ou onde faz, porque é demasiadamente pragmática, impessoal e quase inexpressiva (pessoalmente só recorro aos seus serviços para obter baixa).
Apesar d'Ela ter já um pediatra, fomos á tal consulta (mal também não faz, certo?), nunca vi uma pessoa que estivesse a pegar num bébé ou a tocar-lhe que conseguisse esboçar tão pouco interesse e tanta distancia - Ela continua a frequentar as tais consultas porque o nosso Serviço Nacional de Saúde o obriga: para obtermos determinadas coisas temos de passar por estas "privações".
Nas consultas que se têm seguido, tem sido mais ou menos a mesma coisa... mais valia esta Sra Dra ter ido para médica legista: também era médica, de certo que também ganhava bem e não era necessário ser simpática ou bem disposta para com quem necessitasse dos seus serviços.
Na grande maioria das vezes, as pessoas têm de trabalhar em profissões para as quais não estão vocacionadas, nem gostam, somente porque têm de ganhar dinheiro!
No seguimento da "magnifica" visita á digilosa enfermeira do Centro de Saúde, fomos aconselhados a marcar uma consulta de "materno-infantil" com a médica de família - esta Sra Dra não está nada satisfeita com o que faz, ou onde faz, porque é demasiadamente pragmática, impessoal e quase inexpressiva (pessoalmente só recorro aos seus serviços para obter baixa).
Apesar d'Ela ter já um pediatra, fomos á tal consulta (mal também não faz, certo?), nunca vi uma pessoa que estivesse a pegar num bébé ou a tocar-lhe que conseguisse esboçar tão pouco interesse e tanta distancia - Ela continua a frequentar as tais consultas porque o nosso Serviço Nacional de Saúde o obriga: para obtermos determinadas coisas temos de passar por estas "privações".
Nas consultas que se têm seguido, tem sido mais ou menos a mesma coisa... mais valia esta Sra Dra ter ido para médica legista: também era médica, de certo que também ganhava bem e não era necessário ser simpática ou bem disposta para com quem necessitasse dos seus serviços.
Burocracia
Tudo começou com a ída ao Centro de Saúde para fazermos o "teste do Pézinho".
Ela nasceu numa semana em que há muitos feríados. Num intervalo entre esses feríados, eu e ele, pegamos nela e fomos ao Centro de Saúde. Esperámos na sala destinada ás crianças, até que apareceu uma enfermeira, explicámos ao que íamos e perguntou-nos: mas não têm marcação? É que temos que marcar o teste, e só tenho vagas para 2ª feira (estavamos numa 4ª). Pois, Sra. Enfermeira, não sabiamos da marcação, será que não pode ser agora, é que o teste tem de ser efectuado nos 5 dias seguintes ao parto... Ah, isso,ãh, não é bem assim, pode ser um prazo mais dilatado e hoje já temos 3 crianças marcadas ( eram cerca das 10h da manhã e não estava ninguém na sala). Bla, bla, bla.. com esta estupidez ficamos na sala com a Enfermeira cerca de 15 minutos para nada, mas lá marcamos como ela queria e lá fomos no dia agendado fazer o teste e "visitar" a enfermeira: demoramos 10 minutos!
Ela nasceu numa semana em que há muitos feríados. Num intervalo entre esses feríados, eu e ele, pegamos nela e fomos ao Centro de Saúde. Esperámos na sala destinada ás crianças, até que apareceu uma enfermeira, explicámos ao que íamos e perguntou-nos: mas não têm marcação? É que temos que marcar o teste, e só tenho vagas para 2ª feira (estavamos numa 4ª). Pois, Sra. Enfermeira, não sabiamos da marcação, será que não pode ser agora, é que o teste tem de ser efectuado nos 5 dias seguintes ao parto... Ah, isso,ãh, não é bem assim, pode ser um prazo mais dilatado e hoje já temos 3 crianças marcadas ( eram cerca das 10h da manhã e não estava ninguém na sala). Bla, bla, bla.. com esta estupidez ficamos na sala com a Enfermeira cerca de 15 minutos para nada, mas lá marcamos como ela queria e lá fomos no dia agendado fazer o teste e "visitar" a enfermeira: demoramos 10 minutos!
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
Cheirinho a bolos
Andava eu na minha vidinha caseira, qual Fada do Lar, quando oiço uns gritinhos e uns barulhinhos como que a chamar-me. Ela tinha acordado.
Aproximei-me devagarinho, para me deparar com o sorriso desdentado mais bonito que alguma vez vira (parece que ao olha-lo sinto uma onda de calor e de boas vibrações). Era hora do lanche.
Peguei nela, senti o seu corpinho quente junto ao meu e inspirei, cheirava a bolos (sim, sim, ela parece que cheira a uma pastelaria á primeira hora da manhã). Depois, lá fui eu, dar de comer a quem tinha fome.
Aproximei-me devagarinho, para me deparar com o sorriso desdentado mais bonito que alguma vez vira (parece que ao olha-lo sinto uma onda de calor e de boas vibrações). Era hora do lanche.
Peguei nela, senti o seu corpinho quente junto ao meu e inspirei, cheirava a bolos (sim, sim, ela parece que cheira a uma pastelaria á primeira hora da manhã). Depois, lá fui eu, dar de comer a quem tinha fome.
A Cólica
Era um choro baixinho, como que de um lamento se tratasse, de repente e sem mais, transformou-se num trovão forte e poderoso, que aparecia em ondas bravias.
Ele pegou-lhe, fez-lhe ginástica, massagens, nada. Nada parecia acalma-la. Dei-lhe o meu peito, dei-lhe beijos e carinhos e em troca recebi somente gritos.
Em desespero chorei também, não podia permitir que ela estivesse a passar por semelhente tormenta e eu tão impotente.
De repente, a calma... e ficamos os três como que em transe por uns momentos, até que ela adormeceu nos meus braços de exaustão.
Ele pegou-lhe, fez-lhe ginástica, massagens, nada. Nada parecia acalma-la. Dei-lhe o meu peito, dei-lhe beijos e carinhos e em troca recebi somente gritos.
Em desespero chorei também, não podia permitir que ela estivesse a passar por semelhente tormenta e eu tão impotente.
De repente, a calma... e ficamos os três como que em transe por uns momentos, até que ela adormeceu nos meus braços de exaustão.
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