quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Castelos de Areia


Com o tempo fui ficando confiante, já a conhecia bem, as suas manhas e birras, os seus sorrisos, estava toda orgulhosa com o meu grande feito. Nada mais enganador. Em conversa com outras mães vim a descobrir que tenho vivido numa triste ilusão, não a conheço e os meus preciosos truques, há muito que foram ultrapassados. Ando agora perdida, depois de terem caído por terra quase todos os meus castelos.
Basta fugir um pouco ao nosso ritual, á nossa rotina enfadonha de todos os dias e lá se vai a minha preciosa teoria. Fico completamente impotente face ao turbilhão de gritos, choros e lágrimas, deixo que seja Ela a comandar. E depois, ciente da minha impotencia, olho para Ela e sinto-me esmorecer, quase em lágrimas - porque raio deitei fora o livro de instruções?

Vida dura


Ser mãe, passa muito mais pela cabeça do que o coração, se não vejamos: se a sua filha estiver a chorar não lhe pegue, se ela estiver com dificuldade em adormecer não embale... quer dizer, tudo o que o nosso coração de mãe dita como certo é totalmente desaconselhado pelos especialistas. Já não basta os pequenotes crescerem para terem uma vida de angústias, começam logo PIMBA, acorda p'ra vida, qu'ela é dura!
Pergunto: se não podemos mimar os pequenitos agora, quando vamos poder fazê-lo??

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

A ditadura do choro

Alguém me disse a determinada altura que, a partir do momento em que Ela nascesse acabaria o meu sossego, o tempo para mim. Reconheço que é verdade! Nestes últimos meses quase que me anulei em prol d'Ela. O meu tempo é total e integralmente gerido em seu redor: a hora de mamar, a hora de dormir, a hora de brincar, hora do banho.
De início foi complicado! Eu tomava banho a correr, cozinhava a correr, comia a correr e até dormia a correr, tal era o sobressalto em que vivia, totalmente manipulada pelo choro d'Ela. A determinada altura até pensava que ela tinha um sensor incorporado para avisar sempre que eu estivesse a fazer algo que não fosse relacionado com Ela. Sim, confesso que por algumas vezes apeteceu-me fugir. Bolas, eu também queria fazer outras coisas, sair de casa... quer dizer, Ele pode, n'é? e eu? depois de ter saído de casa dos meus pais há tantos anos, estava a ser manipulada por uma ditadorazinha de meio metro!
Entretanto, o tempo foi passando, Ela já se habituou a mim e eu a Ela, parecemos amigas de há vários anos...
Agora já consigo encarar melhor a tarefa a tempo inteiro, deste contrato a termo incerto, cujas negociações começaram dificies, mas acabaram tão simples de engendrar.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Ó-Ó

Dormir é algo que, contrariamente ao que se vaticinara, tenho feito com relativa facilidade nestes últimos meses. Ok, não durmo oito horas seguidas (mas também nunca dormi!), Consigo "passar pelas brasas" cerca de quatro/cinco horitas, com um breve intervalo para pegar nela e amamentar e... voltar a dormir.
A bem da verdade, Ela não gosta muito de adormecer e é nessa altura que presenciamos as suas terceiras maiores gritarias. Em todo o caso, depois de começar, aí por volta das 22horas, já só desperta totalmente no dia seguinte. Porreiro pá, lá diria o outro!

domingo, 28 de setembro de 2008

Super-Mãe


Do meu ponto de vista, a todas as mães deveria ser atribuída uma capa. Sim, uma capa como têm os super-herois, já que o período de gestação não só serve para formar aqueles bocadinhos de nós maravilhosos, como também desenvolve os nossos super-poderes.
Se não vejamos: logo que Ela nasceu consegui adquirir a capacidade de ouvir o seu mais pequeno murmúrio da outra parte da casa sem qualquer tipo de aparelhos adicionais; consigo distinguir o seu choro numa sala cheia de outros bébés; de noite acordo ás horas das mamadas antes dela chorar, além de conseguir transporta-la e mais uma mochila, o carrinho, a minha mala e por vezes um outro saco que possa aparecer. Aperfeiçoei também a capacidade de fazer várias coisas ao mesmo tempo - preparar o banho, a roupinha, o jantar e dar atenção á cadela. Já para não falar da espantosa capacidade (que ainda estou a treinar) de sair da casa com todas as coisas que são ou que possam vir a ser necessárias caso esteja calor ou frio ou chova ou tenha sono ou se suje ou tenha sede e por aí fora.

sábado, 27 de setembro de 2008

Vocações

A sociedade actual é uma tristeza!
Na grande maioria das vezes, as pessoas têm de trabalhar em profissões para as quais não estão vocacionadas, nem gostam, somente porque têm de ganhar dinheiro!
No seguimento da "magnifica" visita á digilosa enfermeira do Centro de Saúde, fomos aconselhados a marcar uma consulta de "materno-infantil" com a médica de família - esta Sra Dra não está nada satisfeita com o que faz, ou onde faz, porque é demasiadamente pragmática, impessoal e quase inexpressiva (pessoalmente só recorro aos seus serviços para obter baixa).
Apesar d'Ela ter já um pediatra, fomos á tal consulta (mal também não faz, certo?), nunca vi uma pessoa que estivesse a pegar num bébé ou a tocar-lhe que conseguisse esboçar tão pouco interesse e tanta distancia - Ela continua a frequentar as tais consultas porque o nosso Serviço Nacional de Saúde o obriga: para obtermos determinadas coisas temos de passar por estas "privações".
Nas consultas que se têm seguido, tem sido mais ou menos a mesma coisa... mais valia esta Sra Dra ter ido para médica legista: também era médica, de certo que também ganhava bem e não era necessário ser simpática ou bem disposta para com quem necessitasse dos seus serviços.

Burocracia

Tudo começou com a ída ao Centro de Saúde para fazermos o "teste do Pézinho".
Ela nasceu numa semana em que há muitos feríados. Num intervalo entre esses feríados, eu e ele, pegamos nela e fomos ao Centro de Saúde. Esperámos na sala destinada ás crianças, até que apareceu uma enfermeira, explicámos ao que íamos e perguntou-nos: mas não têm marcação? É que temos que marcar o teste, e só tenho vagas para 2ª feira (estavamos numa 4ª). Pois, Sra. Enfermeira, não sabiamos da marcação, será que não pode ser agora, é que o teste tem de ser efectuado nos 5 dias seguintes ao parto... Ah, isso,ãh, não é bem assim, pode ser um prazo mais dilatado e hoje já temos 3 crianças marcadas ( eram cerca das 10h da manhã e não estava ninguém na sala). Bla, bla, bla.. com esta estupidez ficamos na sala com a Enfermeira cerca de 15 minutos para nada, mas lá marcamos como ela queria e lá fomos no dia agendado fazer o teste e "visitar" a enfermeira: demoramos 10 minutos!